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  • Tiago Sá Balão

Mamã e papá, brinquem comigo!

1. Para as crianças a brincadeira é muito mais séria do que possam imaginar. Não é sisuda. Não é cinzenta. É alegre, empolgante e colorida, mas também entra a tristeza, a frustração e a irritação quando assim tem de ser. As emoções e os sentimentos ganham asas e os adultos, se estiverem atentos, podem ver de forma mais clara o que vai dentro de cada um dos seus filhos e devem assumir um papel esclarecedor e orientador de tudo o que vai acontecendo naquele momento e para onde aquela brincadeira está a levá-los. Pode levar para um abraço aconchegante, como gesto de gratidão pelo momento tão prazeroso, ou para um amuo caraterístico de quem ainda não sabe perder ou tem uma grande dificuldade em lidar com o que sai fora das suas expectativas para aquele momento (não se preocupem, é uma aprendizagem que leva o seu tempo). Acima de tudo, acreditem, a brincadeira é uma excelente oportunidade para se estreitar laços afetivos, se ensinar a ganhar e a perder, se aprender a expressar e a lidar com os sentimentos de forma mais construtiva, se conhecer melhor a personalidade de cada um e, a partir daí, se criar uma relação mais saudável. É tudo isto e muito mais que nos deve levar a olhar para a brincadeira com seriedade, pela saúde das relações familiares e das suas individualidades.


2. Para as crianças a brincadeira serve para crescerem com mais amor-próprio e amor ao próximo. Há um «saber estar» que se constrói na relação consigo mesmas e com as outras pessoas que sustentará um desenvolvimento pleno de bem-estar. Todas as crianças (e os pais) saem a ganhar, por exemplo, na sua autoestima, no seu sentido de competência e na sua autoconfiança. Para isso é fundamental que os pais entrem nas brincadeiras com vontade, amor e sabedoria. Eles próprios – os pais – têm de aprender a bem gerir as suas emoções, no aqui e agora, pelo modelo que são para os seus filhos. É essa a sabedoria de que falo. Eles próprios – os pais – devem levar o amor que têm pelos filhos, em forma de gestos de carinho, de compreensão e de respeito pelas singularidades dos mais novos e de tolerância pelas alterações de regras que os filhos fazem quando lhes dá mais jeito (na brincadeira). É este o amor de que falo. Eles próprios – os pais – têm de se organizar no seu dia-a-dia para que não cheguem tão cansados às horas da brincadeira e, dessa forma, entrem nas mesmas sem energia e disponibilidade, sendo que também devem estar abertos às brincadeiras que não gostam tanto como os filhos (afinal, o mais importante é o momento passado em conjunto). É esta vontade de que estou a falar. É uma vontade que se ganha com a prioridade que se dá aos filhos e às brincadeiras entre pais e filhos.


3. Para as crianças a brincadeira é um momento especial e, como tal, deve ser grandemente valorizada. Não é algo secundário. Pelo contrário, é principal (na vida deles e das famílias). Nalguns momentos é um espaço de treino (onde há mais tolerância ao erro e abertura para a tentativa-erro) para outros contextos do dia-a-dia, e noutros momentos é o «centro de espetáculos» e é levada – a brincadeira – muito a sério. As crianças esperam que os pais valorizem, tal como elas, todos estes momentos e, mais do que isso, que participem ativamente (seja pela experiência conjunta, seja pelo papel de observadores em que mostram aos filhos a capacidade de se descentrarem de si próprios e lhes dão «palco» para aquilo que eles querem fazer bem – e devem ser reconhecidos por isso). O momento de brincadeira torna-se mais especial quanto mais os pais derem a sua atenção, o seu tempo e a sua dedicação autêntica às brincadeiras dos filhos. De forma simples, marquem presença a sério! Brincando com eles (ao longo da vida).

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